
Outro dia sonhei que o coche fúnebre
Outro dia sonhei que o coche fúnebre
vinha buscar-me e eu não me achava preparada:
não estava nem morta nem doente,
e sentia que tinha de partir.
Então, disse para o cocheiro:
"Espere um pouquinho,
que estou acabando de ler este livro."
E o cocheiro concordou e esperou.
Deve estar esperando.
(Cecília Meireles)
Entrar em 2008 com a poesia de Cecília! Ah, Cecília, o que seria de mim sem tua existência, sem tua poesia? Tenho certeza que não seria quase nada. Tudo o que sonha em mim e pulsa, e diz, e não diz, tem teu nome, tua marca, teu olhar. Cheguei a acreditar, na pretensão de meus dezesseis anos, que eu era a tua encarnação! Já pensou a maravilha de ser Cecília Meireles?