
Andava longe, muito longe. Capinando nuvem. Não, vocês entenderam errado: não era capitaneando nuvem, mas capinando nuvem. Com enxada, força nos braços e suor no rosto. Pra quê? Sei lá. Pra plantar alguma coisa é que não era: depois de muito capinar percebi que não se planta nada em nuvem. Pra tirar alguma nuvem que não vingava na plenitude do céu, acho que também não, pois que recebi foi muita chuva no couro. Mas tudo bem: aterrissei anteontem à noite. A aterrissagem foi no mar, ah de novo no mar! Não sei nadar não gente, então foi um Deus nos acuda: grudei num pedaço de canoinha de nada e fui indo, fui indo, fui indo, até chegar na praia. E aqui estou, sã e salva. Encontrei tanto post novo na blogosfera, tanta novidade, tanta conversação que só agora, depois de ter descansado um dia inteiro, o ânimo voltou pra poder ler. Fiquei sabendo que preciso ir ao lançamento do Vestígios de Renata, e a pergunta que ronda nos blogues é como irei. Ora essa, irei como a pessoa que empresta a mão e o corpo à Aeronauta. Aliás, nem sei quem é mais simulacro: eu ou ela. Pois bem: não me caracterizarei; nessa noite de festa não serei Aeronauta, serei eu (é possível ser "eu"?). Estarei lá, do mesmo jeitinho que sou (sou?); e tenho certeza que vocês não me reconhecerão.
Imagem: Thays Costa
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