
Nesses tempos de blogs em silêncio, de muita correria e pouco descanso, num domingo apático e parado no centro da cidade, venho aqui para conversar um pouco. Palrar (eta palavrinha enrolada). Mas que seja, bater um papo. Domingo deve ser o dia de festejo no purgatório: porque é o dia maldito. O que fazem as almas do purgatório no domingo? Sofrem. Sofrem mais do que nos outros dias, porque lá domingo é dia de festejo. Imagine festejo em purgatório! Deve ter insinuações das mais sádicas e masoquistas. As almas penadas penam ainda mais, coitadas. Mas deixemos essa prosa de alma para lá. Mãe rezava para as almas sempre no quintal, dentro de casa não. Dizia que era a reza mais forte que existia, e que mais trazia resultado. Mas nunca se deve rezar dentro de casa, nunca. Ora, imagina-se por que, nem é preciso indagar. As almas têm uma potência do além, já que se libertaram dessa matéria densa e fedorenta. Devem cheirar a jasmim, ou a perfume alfazema, esse que anunciava, em toda casa do interior, a chegada de mais um vivente ao mundo. Hoje os bebês, mesmo do interior, não cheiram mais a alfazema, disso eu me comovo. Que pena dos bebês de hoje, cheirando a perfume da natura ou do boticário. São bebês nascidos em shooping center. Lembro-me bem do enxoval que a mãe do interior fazia no quarto: um monte de vidrinhos forrados de crochê, tudo de uma cor só. O quarto era envolto num enorme segredo, um segredo com cheiro de alfazema e com cores de vidrinhos forrados com ponto de crochê: tão família, tão íntimo. Olhe só, estávamos palrando sobre alma do outro mundo e chegamos em bebês de antigamente. Conversa fiada é assim mesmo.
Imagem: "Bate-papo"(www.google.com.br)






