Não quero escrever requerimentos
muito menos ir a reuniões
nas quais a vida é debatida
sem qualquer mistério.
Quero o esotérico
e nele os contos fantásticos
de Edgar Allan Poe.
Não nasci para viver dia a dia;
me perdoem, mas a máquina de escrever
foi a única que em mim restou,
lírica, do universo burocrático.
Porque não tenho paciência para papéis
que não trazem uma palavra poética
Por isso meu curriculum vitae
há muito tempo não se atualiza.
Quero mesmo é o cataclisma das leis
pois aí poderemos, enfim, amanhecer lendo
o que há de mais inútil em Edgar Allan Poe.
Abaixo as mensagens e a moral das fábulas.
Abaixo as palavras dos documentos oficiais.
Abaixo ainda mais aquelas palavras
com que todos se vestem para fazer reuniões.
Quero, repito à exaustão
o terror, os conflitos espirituais,
os fantasmas de Edgar Allan Poe.