
Como é que você sente que está na contramão? É quando você diz uma coisa e a maioria diz outra. Aí você fica ali com cara de besta, se perguntando se é um etê. Ou se está obsoleta, ou se é tabaroa, ou se é velha; enfim, você fica se perguntando coisas. O que você disse, incrível, ninguém ouviu, ninguém considerou; no entanto você tem plena convicção de que o que disse é sensato; aliás, mais do que sensato, é empírico, é vital. Vital. Essa palavra vem de vida, vísceras, estar vivo. Ué, mas tanta coisa está viva. O que há de errado no mundo? Respondo, com total convicção: a idiotia dos pseudo intelectuais e professores mestres e doutorores, e médicos e dentistas, enfim, todo o poder que reina nos que se consideram superiores em questões práticas do conhecimento. Amor é palavra de luxo, atestou num poema Adélia Prado. Atesto hoje: amor é palavra que tem a mesma conotação de lixo. Não vale mais nada. Não tem nenhum crédito na praça, muito menos como valor científico para formar pessoas humanas. Ninguém mais a considera como "recurso" indestrutível; se transformou em peça ordinária jogada no monturo, como pneu velho furado.





