terça-feira, 10 de julho de 2007

Castelos de nuvem

"De que matéria essencialmente divina são os castelos que não são de areia?"
A pergunta é de Fernando Pessoa (in O livro do desassossego), e eu ouso repetir, como um eco sem fundo. E me pergunto por que me faço esta pergunta, a esta hora da noite, quando, na televisão, passa jogo do Brasil. Por que será que ando assiduamente no outro mundo? Num poema Quintana disse estar sempre pensando em outra coisa - e assim se encontrava ao receber a extremunção: pensando nos seus sapatos antigos. Terno e brincalhão, nosso querido Quintana.
Enquanto lembro Quintana, ganho tempo para tentar responder à pergunta de Pessoa. Os castelos que não são de areia são, de fato, de uma matéria divina. Mas de que é feita tal matéria? Será por acaso de nuvem?
Os poetas, acredito, achariam provável. As nuvens têm algo de bíblico, de divino. Assim, os castelos que não são de areia têm, na sua matéria, a fluidez inefável das nuvens... composição de sonho, transitoriedade e transcendência.
Os castelos de areia se desmancham, enquanto que os castelos de nuvem se alteram, se mobilizam, se transformam...

Um comentário:

Renata Belmonte disse...

Oi, Aeronauta,

Obrigada pelo comentário no meu blog. Fiquei muito feliz!
Abraços,
Renata