
A vida gosta pouco de literatura. E tudo que não é literatura me aborrece (peço licença a Kafka e não coloco aspas). Por isso ando muito aborrecida nesses dias. Tirando uma ou outra página lida, roubada às escondidas, nessa semana pouco existi. Quero a minha vida clandestina: no meu quarto, à frente do computador, juntando letras, tirando o espanto de dentro, esparramando o choro; indo à estante, conversando com meus mortos. Sozinha, deixando a vida do outro lado da porta, com sua roupa de serventuária da Justiça. Fora os projetos escritos e suas terminologias, fora as reuniões, fora as conversas em forma de requerimento. Quero os meus livros, os meus livros. E os amigos, que falam a mesma língua.
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