sábado, 10 de novembro de 2007

Nasci...

Nasci numa madrugada de 10 de novembro. Para que dizer o ano? Para vocês descobrirem minha idade? Não, basta, tenho mil anos. É o que sinto, sem nenhuma pretensão de sabedoria. Ter mil anos significa a sensação de estar na vida há muito tempo, milenarmente. E isso não me dá sabedoria nenhuma, muito pelo contrário. Dá uma espécie de gastura (essa palavra é engraçada).
Mãe veio passar esse 10 de novembro comigo, como todos os anos ela faz. E eu pergunto, mais uma vez para ela, sobre o tal do nascimento. E ela diz: "seu pai estava no jogo, e quando ele chegou, de madrugada, por pouco você já teria nascido". Ela nunca esquece de frisar que pai madrugava no jogo enquanto ela já sentia as primeiras dores do parto. E foi bem na hora que ele chegou do jogo que eu cheguei também, de outro lugar. Grande achado metafórico, já fiz até poema com esse acontecimento.
Enfim, cheguei. Chorando muito, claro. Muito, muito, muito. Acho que não queria vir não. Como disse um amigo meu, eu vim para a vida contrariada, pois estava muito bem lá numa biblioteca do outro mundo, e me mandaram na marra. Como não passar a vida toda chorando por causa disso? Lá a biblioteca era sortida, tinha livros para eu ler por toda a eternidade, e eu só iria fazer isso, só isso... Para que vir para o mundo para fazer outras coisas?
Mas aqui estou, até hoje, e ainda preciso repetir: "graças a Deus", como todos fazem, afinal não sou de quebrar corrente. Aqui também tem bibliotecas, só não posso ficar nelas o tempo todo. Aqui não é nenhuma Pasárgada, mas "é uma aventura de tal modo inconseqüente", que quando estou triste, "mas triste de não ter jeito", esqueço que tudo existe, e adormeço...

5 comentários:

Críticas Criticáveis disse...

Primeiro lugar: PArabéns! Segundo lugar: Ainda bem q vc veio ao mundo, assim podemos ler seus textos sem ter q psicografa-los hehehe bjao!

Personagem Principal disse...

Ai, que lindo! Parabéns, parabéns, parabéns, Nauta! E "assim podemos ler seus textos sem ter q psicografa-los" ká-ká-ká, né?

Renata Belmonte disse...

Parabéns, queridona! Seja muito feliz hoje e sempre!
Beijos,
Renata

M.Gallo disse...

Borges estava certo: que o paraíso, ou o inferno, seja uma biblioteca. Pelo menos você e ele ficarão satisfeitos. Parabéns!

Carlos Barbosa disse...

Soubesse eu teu endereço, iria te acordar com um presente. Abr. felicidades e coisa e tal. Carlos Barbosa