sábado, 22 de setembro de 2012

como terá sido






Clarice Lispector atormentada, perturbada, criatura com um lago fundo e traiçoeiro dentro de si, conhecedora do escuro mais escuro da noite... Penso como terá sido sua passagem definitiva para o mundo dos estranhos, lugar onde ela pertencia por total merecimento. Como terá sido, pois, a morte de Clarice? E a morte de Quintana? A de Quintana deve ter sido suave, ele pegando a mão de um anjo que lhe chamava de uma nuvem fofíssima, como nunca haverá nesse mundo almofada que se assemelhe. A de Cecília Meireles deve ter sido cantando, cantando, pois que essa mulher cantou a vida inteira, no meio das perdas e dos abandonos. Atravessou, portanto, a linha tênue entre morte e vida entoando sua canção eleita, aquela que sempre falou de nuvem e de mundo, de meninos vistos na Índia, na Holanda, enfim em todos os lugares que passou. 
E a morte de Kafka? E a morte de Kafka?...

Um comentário:

Carlos Rafael Dias disse...

Terá sido Kafka condenado à morte em um processo?