sábado, 9 de março de 2013

a dor de parir



Todos os dias sinto a dor de parir, mesmo sem nunca ter parido; na verdade, sinto a dor de existir, e é uma dor fina, cheia de contrações. Não sou machista, não sou feminista, sou mulher. Não levanto bandeiras, mas estou aprendendo a me defender e constato,a cada dia, uma fortaleza que não sabia que tinha: consigo viver dia a dia e não morrer antes da hora, isso é grandioso demais para um corpo e uma alma sensíveis diante de um mundo que não é nem um pouco sutil. Hoje mesmo senti a dor de parir, e foi fina, intercalada; a cada contração eu pensava que iria morrer. Nasço todos os dias depois dessa dor.

4 comentários:

Por que você faz poema? disse...

Minha dor é de partir,
minha vontade é de ficar.

Sandra Pereira disse...

"...Não sou machista, não sou feminista, sou mulher..."
Esse trecho me fez lembrar o Kundera no seu "A insustentável leveza do ser", quando o personagem Franz diz à sua amante: "Sabina,você é uma mulher." Inicialmente ela acha a fala do amado comum, porém, depois ela percebe que a ênfase dada à palavra mulher designa um valor especial e que nem todas as mulheres merecem essa nomenclatura. Você Ângela é uma MULHER, muito especial e imensamente admirável. Desejo-te muitos renascimentos. Grande abraço!

aeronauta disse...

Obrigada, Sandra, sempre, por palavras tão belas!

Naiana P. de Freitas disse...

Acho que também compartilho desta dor
"diante de um mundo que não é nem um pouco sutil. "

abraços,
:D
Naiana