quarta-feira, 27 de julho de 2011

madrugadas


Tenho a asa torta, sou guache, mas me lanço com tanta dedicação ao amor, que mais ainda sinto suas agulhas, finas. Sou uma menina da roça, nunca usei ou usarei um tailleur, mas das coisas que sei fazer é vestir esse corpo: cubro-o com um manto azul, um manto azul desperdiçado, desses que cobrem altares. Tenho o espírito materno, e fico velando o tempo todo pelo que desaparece, sem afagos. Não sei fazer outra coisa na vida, amar é minha destinação. Amo as pessoas mais do que ao mundo, e com elas me preocupo mesmo quando dizem que é comigo que eu devo me preocupar. Não consigo o tempo todo estar em mim, não consigo. Em casas alheias, passo madrugadas. Não sou nenhuma madre, ou algo que o valha. Muito pelo contrário, sou frágil, e qualquer dizer mal dito em muito me perturba, e atrapalha. Mas continuo indo, é fatalidade.

9 comentários:

M. disse...

Minha querida e alada amiga, sinto tanto a sua falta. Espero que logo possa aparecer para tomarmos um café e conversarmos horas a fio, como tanto já fizemos. Deveria ser proibido que os bons amigos partissem pra outra cidade e nos deixassem assim, desamparados. Com quem agora eu sairei para comprar livros de poesia, filmes antigos e vestidos? Amo você. Bjs, M.

P.S.: Mande-me logo o seu endereço, por favor.

aeronauta disse...

M., fiquei tão emocionada com seu bilhete acima... Também sinto tanto a sua falta! Mandarei ainda hoje o endereço. Grande abraço, amiga, também amo você.

Lidi disse...

Neste exato momento, quem está emocionada aqui com a troca de carinho de vocês - Aero e M. - sou eu. Que coisa mais linda! Nem sei mais o que escrever. Estava prestes a comentar o teu texto, Aero, e agora, depois que li o amor e amizade de vocês, fiquei muda. Adoro demais as duas. Bjs

Lidi disse...

Acho que já me restabeleci da recente emoção sentida aqui neste blogue, creio que já posso comentar: Aero, você precisa publicar um livro com os textos postados aqui. Urgente. Pronto. Era isso que eu queria escrever. P.S: Senti a tua falta dia 23. Saudades. Bjs

Blog do Akira disse...

Aeronauta,

não sei explicar mas admiro fanaticamente os seus escritos.

Um abraço do Akira.

Bípede Falante disse...

Aero, tuas palavras se cobrem com todas as palavras ternas desse mundo e com a doçura de quem tem mesmo uma existência feita de bondade.
beijoss

aeronauta disse...

Lidi: obrigada, querida, por palavras tão estimulantes (publicação, eta palavra mágica).
Akira: fico muito feliz em receber você nessa casa. Obrigada pela visita.
Bípede: bonitas demais são suas palavras: doces, ternas.

Maria Muadiê disse...

texto tão sincero. eu amo a sua sinceridade.

gostei muito.

Sandra disse...

Belíssimo.