segunda-feira, 15 de julho de 2013

amor sozinho



Ele não me quer de maneira alguma.
Nem que eu o amarre, nem que eu ameace
cortar-lhe os pulsos
nem que eu lhe dê as estrelas.
Talvez ele nem goste de estrelas.
E até de vinho, que todos gostam, ele gosta
mas em pequenas doses
porque a embriaguez pode levá-lo a mim
a quem ele não quer
como quem não quer, do além, ouvir vozes.

Ele não me quer de maneira alguma.
Com ou sem anel, com ou sem pulseiras,
com ou sem roupas.
Ele nunca será Fellini,
portanto não abraçará Gelsomina.
Enquanto durmo sonhando acordar Heloísa
para ser amada por Graciliano,
ele prefere amar quem nunca será eu
nem em filme, nem em literatura.
Portanto, estou mais para Orides Fontela
sozinha e amarga, a vociferar contra os ventos.

Ou Sylvia Plath, mesmo sem aquela lindeza
aquela lindeza que não lhe garantiu ser amada.
Enfim,
escrever poesia é o meu destino
ambíguo e sem rumo
porque amor, nem de amigo.


Imagem: "amor sozinho". In: www.google.com.br

2 comentários:

vanessa Jan disse...

"Mais vale o meu pranto que esse canto em solidão,
Nessa espera o mundo gira em linhas tortas
Abre essa janela, a primavera quer entrar"

A primavera sempre chega, Dona moça, na hora certa todos voltamos a florir...

Lidi disse...

Triste, doloroso e belo. Bjs