quinta-feira, 11 de julho de 2013

INTEIRA



Busco um homem que me veja inteira:
vísceras, fígado, costelas, peitos,
como num açougue o freguês vê direito
aquilo que compra, com acuidade
sabendo que achou o que é precioso.
Não como um garimpeiro, cessando a bateia
para encontrar o diamante:
Luz manifesta de tudo que é perfeito, e brilha.

Busco um homem, insisto, que me veja inteira:
garganta, dentes e gengivas,
laringe e língua. E que me vire de lado e de frente
constatando, fremente, que valho a pena
no tato, no paladar, no olfato,
e principalmente na alma:
minha alma no seu prato.

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