terça-feira, 9 de outubro de 2007

Minha irmã

Pensei em postar esse texto no dia do aniversário dela. Mas ainda está longe: 4 de novembro. Não dá para esperar até esse dia, vou tentar escrever hoje. O que falar dela? Ah, tanta coisa. Primeiro que somos muito diferentes uma da outra. Quando crianças, vestidas iguaizinhas, as pessoas diziam assim: "vocês duas são irmãs? Mas como são diferentes!" Isso quer dizer que as únicas coisas parecidas ali eram nossas roupas: costuradas por mãe, claro, que talvez desejasse que fôssemos gêmeas.
Ah, nós duas... criaturas completamente distintas... Uma gordinha, a outra magra. Uma com cabelo liso, a outra com cabelo crespo. Uma que gostava de brincar de roda e de boneca, a outra que gostava de subir em árvore e de paquerar. Uma que gostava de estudar, a outra que amava brigar na escola. Acho que não é preciso dizer quem é quem aqui. Já dá para perceber que minha irmã era o máximo.
Mas eu não gostava de ser irmã dela. Nem ela gostava de ser minha irmã. Apenas morávamos na mesma casa, e ela me defendia quando Sílvia, minha primeira amiga, me batia. Dando puxões de cabelo em Sílvia ela dizia assim: "em irmã minha ninguém bate, só eu!"
Ela era muito metida e me chamava de besta. Às vezes, na escola, fingia que não me conhecia e nunca me tirava para o seu time. Em casa me dizia por que procedia assim: "você é muito mole!"
Hoje como eu gosto de ser irmã dela. Nós temos um passado em comum. A mesma casa antiga guardada na memória. O mesmo pai e a mesma mãe. O mesmo linguajar. Só continuamos muitíssimo diferentes, claro. Mas isso não impede que a gente se goste e dê boas risadas juntas lembrando nossa infância. E que eu jamais esqueça a maior declaração de amor que ela me fez: aos sete anos, ao saber que eu ia viajar para Salvador em razão de uma hepatite, ela foi se despedir de mim e me deu aquilo que mais estimava na vida: um copinho de alumínio com seu nome gravado.

8 comentários:

Críticas Criticáveis disse...

Eu e meu irmão também tivemos a mesma criação e somos muito diferentes, mas é isso q nos torna tão especiais e tão irmãos, cada um tem a sua visão q juntas se completam e gravam a nossa história pra sempre...

Anônimo disse...

Por obra dEle, tentei entrar em comentários e só hoje apareceu. Tento todos os dias consertar os danos que lhe causei. Às vezes tento tanto que quase cometo os mesmos erros. Como vc sabe as amigas se foram e apesar das diferenças gritantes, hoje vc é a minha melhor amiga.
(Sua irmã)

Renata Belmonte disse...

Obrigada, Aeronauta! Se puder, vá lá me conhecer pessoalmente!
Beijos,
Renata

Anônimo 2 disse...

Lembro Irving e seus "detalhes específicos"... esse copinho de alumínio com o nome nele gravado expandiu a beleza desse texto para além de sua memória e invadiu a praça, ocupando-a de azul e faíscas diamantadas... e nem dia era, ainda. Abraços, do leitor

aeronauta disse...

Críticas criticáveis: como vê, temos mais uma coisa em comum.
Minha querida irmã: você também é hoje a minha melhor amiga.
Renata: vou tentar ir para te conhecer pessoalmente.
Anônimo 2: que comentário bonito é esse?! Meu Deus, fiquei tão emocionada.

Carlos Rafael disse...

Qualquer coisa que diga
Depois de tudo o que li acima
será redundante

Kátia Borges disse...

Lembrei a minha adolescência, quando era a irmã caçula que a mais velha era obrigada a levar para as festas. bjs

Luíza disse...

eu e meu irmão também não somos iguais. ainda que fossemos gêmeos não seríamos, mas quem é igual a quem?
Beijos