quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

sonho


Onde pai andará, nesse instante?
Com auréolas de rei, abrindo cancelas
Na sua roça de milho, eterna?

Buscando as sandálias, ao entardecer,
Como tanto fazia antes?
Fechando as janelas, com a chegada da noite?

O que de hábito permaneceu, à distância,
Nesses dezoito anos de ausência,
Para que continuasse tão perto?

Decerto o chão de nossa casa
Com o vermelho cimento encerado
Fazendo espelho aos seus pés

Decerto essa frágil permanência
do outro lado, onde tudo reverbera
em aquiescência e abandono

Decerto o mundo, mesmo,
Com seus vestígios de sonho
Trazendo-o como dono; de tudo.

4 comentários:

Anônimo disse...

Decerto saudades, muitas saudades.

Duda disse...

Lindo post!
Lindo poema!

Chorik disse...

Clap, clap, clap. Onomatopeia constante de minha admiração por você, desde sempre, desde quando cheguei aqui pela primeira vez e fiquei espiando, espiando, espiando...

Delirium disse...

Estou tão velha quanto os anos de ausência de meu pai. E nem sei que auréola poderia cingir sua cabeça porque minha existência, tão recente naquele momento, não dava conta de sua existência, dos seus modos e manias. Seu belíssimo "sonho" cutucou uma ferida permanentemente aberta, mas quem sabe não o encontro por aí, pelas paisagens oníricas da vida?.