
Onde pai andará, nesse instante?
Com auréolas de rei, abrindo cancelas
Na sua roça de milho, eterna?
Buscando as sandálias, ao entardecer,
Como tanto fazia antes?
Fechando as janelas, com a chegada da noite?
O que de hábito permaneceu, à distância,
Nesses dezoito anos de ausência,
Para que continuasse tão perto?
Decerto o chão de nossa casa
Com o vermelho cimento encerado
Fazendo espelho aos seus pés
Decerto essa frágil permanência
do outro lado, onde tudo reverbera
em aquiescência e abandono
Decerto o mundo, mesmo,
Com seus vestígios de sonho
Trazendo-o como dono; de tudo.
4 comentários:
Decerto saudades, muitas saudades.
Lindo post!
Lindo poema!
Clap, clap, clap. Onomatopeia constante de minha admiração por você, desde sempre, desde quando cheguei aqui pela primeira vez e fiquei espiando, espiando, espiando...
Estou tão velha quanto os anos de ausência de meu pai. E nem sei que auréola poderia cingir sua cabeça porque minha existência, tão recente naquele momento, não dava conta de sua existência, dos seus modos e manias. Seu belíssimo "sonho" cutucou uma ferida permanentemente aberta, mas quem sabe não o encontro por aí, pelas paisagens oníricas da vida?.
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