domingo, 9 de dezembro de 2007

Natal


O Natal está próximo, e eu sempre fico tão emotiva... Abri minha caixinha de guardados e de lá tirei as cartas que meu pai escreveu para minha mãe em época de namoro. São cartas muito simples e tocantes, e cada uma vem dentro de um envelope de papel azul e delicado, escrito atrás: "À jovem Terezinha Novaes Santos - Fazenda Campinho." Releio agora todas elas e sinto uma saudade esquisita, uma dor no peito, uma vontade de chorar...


Lagoinha, 22 de dezembro de 1961.

Inesquecível Té,

Primeiramente meu abraço.
Té, até o momento vou indo bem graças a Deus. Como vai você
e Dona Calu e os meninos, vão bem?
Té, aviso que não posso ir essa semana. Não posso ir à Festa.
Desejo que você dance bastante e seja feliz no Natal.
Não sabe como fico de não poder passar o Natal aí com vocês,
mas logo depois passarei o Ano Novo aí com você.
Té, peço que você mande a minha roupa por pai. Sem mais,
termino com saudade deste que lhe ama loucamente,

Bino.

9 comentários:

Oroonoko disse...

Bons tempos das velhas cartas de amor! Sem elas o mundo ficou pior!

Ivan disse...

Belas fotos, belo texto. Também viajo nas imagens antigas de família. Veja que bacana este texto sobre o assunto, escrito por Myriam Moraes Lins de Barros:

http://www.cpdoc.fgv.br/revista/arq/45.pdf

Críticas Criticáveis disse...

É né, as cartas eram mto mais sinceras e íntimas q os frios emails, bons tempos

Kátia Borges disse...

Poxa, lindo. Você sempre nos surpreende. Incrível. Eu nunca li uma carta de meu pai para minha mãe. Ma achava romântico quando ele a chamava de Júlia. Bjs

Personagem Principal disse...

"Primeiramente meu abraço"? Que negócio mais lindo é esse? Por isso que vc escreve assim, né? Começo a te entender, amiga Nauta.

sobrinho de aeronauta, de dez anos disse...

Muito romântico para mim... Fico tão emocionado,sabendo da cartinha do meu avô que não conheci; é tão triste.

Carlos Barbosa disse...

Aérea Persona, não chore. A vida é isso: o que foi, sendo. Meta a mão mais fundo e desentranhe suas cartas de amor. As que escreveu, as que recebeu, as que gostaria de ter escrito e as que gostaria de ter recebido. Grande livro se constrói aqui. Sigo leitor, Carlos.

Renata Belmonte disse...

Que lindo! É o amor...(rs)
Bjs

Luíza disse...

ah, que coisa mais linda..
beijos