quarta-feira, 11 de novembro de 2009

rastros


O vestido vermelho

bate nos joelhos, tem babados nos ombros e na cintura.
Os adornos que nele moram se movimentam sem vento, à espera sinuosa de uma longa festa; e meus cabelos negros descem, encorpando-o no espaço, numa dança etérea, furiosa e bela.
Nas laterais um laço; nas barras, rendas passionais de outros séculos.
Visto-o todos os dias, e, durante as noites, desapareço com ele no tempo, sonho em névoa, neblina que se esgarça nos sapatos.
Nele, portanto, rastros de milenar encontro.



Imagem: "Vestido vermelho", por andrebizoti.
(www.flickr.com)

8 comentários:

Maria Muadiê disse...

Lindo vestido vermelho.

(incrível as fotos que você acha)
beijo

Bernardo Guimarães disse...

as vestes da aeronauta: os vestidos verde e o vermelho.o de aparecer e o de desaparecer.

Gerana Damulakis disse...

Que imagem vc criou, vermelho é chama, uma mulher em chamas, ardendo, plenamente mulher na sedução, deixando apenas rastros: adorei!

Ricardo Nonato disse...

O que dizer de uma mulher vestida de fogo abrasador, rompendo a estreita linha do tempo? O que dizer quando seu andar esconde os cheiros dos dias na curva da vida? Difícil saber quando a imagem dos teus cabelos figura presença no embaraço de dedos indecisos como que aprendendo a descobrir os caminhos do desejo ancestral. Linda imagem a que você criou.

Lidi disse...

Nunca li uma descrição tão bela, tão intensa, de um vestido vermelho! Só você mesmo... Um beijo de quem, cada vez mais, te admira.

maria guimarães sampaio disse...

Grande Aero! Recomeço minha atrazadíssima leitura (de todos)por aqui. Vale! Beleza imensa.

Chorik disse...

Belo e misterioso, como a mulher de vermelho.
A foto é de um lugar pelo qual tenho imensa saudade. Trabalhei 13 anos nessa rua, a 200 metros dessa passarela. Um oásis.

Nílson disse...

Um mágico vestido vermelho. Descrito com palavras mágicas!