domingo, 22 de agosto de 2010

Poemas para Antonio, parte 2

Eu era louca para publicar um livro. Tinha cadernos e mais cadernos cheios de poemas há mais de dez anos quando surgiu a oportunidade de publicar um. Beira-Vida caiu nas minhas mãos numa manhã de sábado, vindo pelos correios, e eu quando o toquei chorei ali mesmo, na frente de todo mundo. Tinha nesse dia vinte e dois anos de idade. Saí com meu amor e minha melhor amiga para comemorarmos. E fomos para a beira do rio, naquela manhã nublada, nós três rindo muito, numa felicidade cúmplice: minha amiga tinha feito a capa, meu amor tinha me dado a epígrafe, e eu estava com o livro publicado. Era demais para uma moçoila tímida que aos dezoito anos, indo ao cartório pra tirar o título de eleitor, foi recebida com perplexidade pela escrivã: ela não sabia que meu pai tinha uma outra filha. Onde andava você, menina?, me perguntou. Pois ali, naquela manhã, sentada nas pedras do rio, comemorava a estréia para minha primeira grande exposição pública. Lancei o livro em 21 de julho de 1990. Com um pimpão enorme no cabelo e usando uma calça jeans horrorosa, dei autógrafos. A família e os amigos presentes; pai trouxe seus parentes da roça e a cidade aplaudiu a moça que resolveu sair da toca. Daí em diante me transformei na poeta municipal.
Quatro anos depois veio Poemas escritos na pedra. Tinha vinte e seis anos. Já cursava letras vernáculas quando ele ficou pronto, e o recolhi não mais nos correios de minha cidade, mas nos correios de Feira de Santana, numa avenida movimentada. Porém a emoção foi a mesma. Nessa época pai estava muito doente, e nos raros momentos de lucidez falou sobre seus três últimos sonhos: ter tempo de assistir ao casamento de minha irmã, de ir ao lançamento desse meu segundo livro e de ver o ano 2000. Minha irmã se casou e ele não pode ir devido à gravidade da doença; e quando meus livros chegaram ele já estava quase partindo; mesmo assim o lancei, por ele, em sua homenagem, em 04 de junho de 1994; em 05 de junho, o domingo mais triste de minha vida, ele morreu, só não realizando, infelizmente, de nenhuma maneira, seu sonho de ver o ano 2000.
De 1994 para 2010 são dezesseis anos. Nesse tempo participei de algumas antologias poéticas, mas livro individual de poesia havia se transformado em algo quase impossível.
Entretanto, com a acolhida terna de amigos, na próxima terça o triângulo se formará: será lançado Poemas para Antonio. Três livros de poesia, acredito, já são três largas histórias, ainda que pequenas, para uma única e tímida vida.

19 comentários:

M. disse...

Estou tão feliz de estar ao teu lado. Beijos.

Eliana Mara de Freitas disse...

Vai ser tudo lindo amanhã, vocês duas.

abraços

Eliana Mara de Freitas disse...

Angela, só não concordo que a sua vida seja única e seja tímida: há tantas pessoas no que você escreve e tantas vidas.

Bernardo Guimarães disse...

ainda é pouco pelo tanto que vc tem a nos mostrar.
não posso ir mas já encomendei o meu e quero autografado!!!

Centelhas do outro disse...

Que o sangue de tua palavra seja intenso.

Chorik disse...

Agora virão três de prosa, contos e crônicas. Só você não se dá de conta da preciosidade que tem aqui no aeronauta. Uma única vida emocionando milhares.

Anônimo disse...

Estou feliz por que a aeronauta está voando mais do que nunca, planando em páginas cheias de poesia, espalhando lirismo, emoção e singeleza em suas palavras, em seus gestos, em seu carinho.
(João Neto)

Anônimo disse...

Eu já disse aqui que este texto é uma aula de toria da literatura? Digo agota. beijo!

Lidi disse...

Fico feliz com a tua felicidade. E fico feliz com a felicidade que você está proporcionando aos teus leitores. Eu tive a grande oportunidade de ler o teu segundo livro e não vejo a hora de ter o terceiro em mãos. Sinta o meu abraço, amanhã. Bem apertado. Beijo.

Anônimo disse...

Eu, que já habitei suas páginas; que desmanchei suas tranças; que conheci sua rua, sua ilha; que afaguei suas pedras; que degustei sua poesia e chorei ao lê-la, e ri ao tê-la, e amei tudo isso quando tudo isso parecia não ser nada disso ou daquilo; eu que fui um misto de homem e amigo, não poderia me furtar a lhe dizer o quão orgulhoso fico de sabê-la poeta de tantos predileta.

Beijos e parabéns por mais esta conquista.

Aquele sorriso

Gerana Damulakis disse...

Certo, o triângulo, gostei da imagem, só que desta vez será diferente: pura alegria!

aeronauta disse...

Obrigada a todas as pessoas que aqui postaram tão generosas palavras. Abraços a todos.

Anônimo disse...

Estou feliz, com a sua eterna estreia. Um livro deve vir sempre com esta emoção, quero te ver estreando muitas e muitas vezes.

Katia disse...

Pôxa! Perdir essa oportunidade de conhecer essa grande escritora que me alimenta a alma silenciosamente.

Vida longa pro Antonio que mora em vc.

Moniz Fiappo disse...

Infelizmente não pude estar presente. Fica a felicidade de vê-la publicar mais um livro dos muitos que com certeza virão para semear beleza a um maior número de pessoas. Não vejo a hora de passar lá prá pegar o meu. O precioso autógrafo fica, por enquanto, suspenso.

Nilson disse...

Que venham novos, e muitos!!!

Kedma Costa disse...

Parabéns prof, seu livro é uma maravilha, amei cada poema, quando eu lia sentia uma enorme serenidade, aquilo que mais busco para minha vida. obrigada fiquei muto felis por se lembrar de mim, sempre será na minha vida uma pessoa inesquecível...
beijos

Terráqueo disse...

Vou atrás do seu livro. Parabéns. Amo os seus textos.

Paula Baiadori disse...

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