quinta-feira, 5 de abril de 2012

desperdícios


O que dói é o desperdício
de sentimento
Mães chorando, num lamento
sem qualquer história
que registre
Flor silvestre sem tempo
nascida no meio
da estrada,
trilhada por pedras
e dissolução
Essa mão, essa mão
que insiste em tocar
o mundo que não permite

Dói mesmo essa sobra
de sentimento
que não é aproveitada
em verso algum
Bondade espalhada
por terra árida
Afago frágil, sem pétala
em qualquer flor
A inutilidade da rosa
A inutilidade do sino
O suor que se desprende
da testa de um menino

Tudo, tudo que insiste
em continuar vivendo

6 comentários:

Lidi disse...

Viver é mesmo doloroso, Aero. E ainda assim, insistimos em continuar vivendo. Até compramos flores para a casa, como escreveu a nossa amiga. Amo a tua poesia, a de Mônica. Vocês sempre salvam a minha rotina "vazia". Bjs

Adriano Alves disse...

Uma sobra de sentimento que o tempo não corrói - só faz doer. Todo gesto é inútil, toda representação é um simulacro, só a vida é um imperativo.

Gosto muito de sentir essa eterna falta que há na tua poesia, Ângela.

Um abraço.

aeronauta disse...

Lidi: E como viver é mesmo doloroso! Fico feliz que goste dos meus rabiscos.
Adriano: É sempre mesmo uma eterna falta, um vácuo. Este que todos temos. Grata pela leitura.

Maria Muadiê disse...

Lindo.
É tudo inútil e indispensável: o suor, a flor, o menino...

Sandra disse...

"Tudo, tudo que insiste
em continuar vivendo."
E quão maravilhosa é essa insistência...ela me faz vir aqui, conhecer seus belos escritos e continuar a existir. Lindíssimo Ângela!

aeronauta disse...

Bom demais,Sandra, ter sua presença por aqui! E que tão poéticos e belos comentários! Bjos