quinta-feira, 6 de março de 2008

Intervalos

A FESTA

Não, hoje não tenho nada para dizer.
Feche a porta, vá embora, me deixe só.
O dia escureceu... Os homens vão de paletó,
As mulheres de salto alto, os meninos de cachecol.

O dia é enorme, e eu quero ficar só.
Deixe-me na varanda, a cor do céu é estranha:
levemente branca misturada com uma tamanha
dor... Não quero ir, vá só...

Vá sozinho, amor, para a festa desse dia.
Se eu for contigo, não terás companhia.
Estou agora longe, muito longe...
Minha voz calou-se um instante, e um anjo

assobiou para mim, de uma nuvem lá adiante...

4 comentários:

Críticas Criticáveis disse...

reflete bem meu momento antisocial

Kátia Borges disse...

E só calando mesmo, diante de tão bela poesia. Só os anjos podem falar.

Carlos Rafael disse...

Você pode até ir
E também ficar
Mas não irá só
Não ficará só
Leve-nos ou deixe-nos

Renata Belmonte disse...

Nauta,
Sua poesia é linda. E sinto que poderia ter sido escrita pela minha personagem dos Intervalos de O que não pode ser. O título é uma referência ou apenas uma coincidência? Seja o que for, o que vc escreve é coisa fina. Só gente que respira sabe fazer isso.
Grande beijo,
Renata