segunda-feira, 20 de julho de 2009

Sob a lona de um circo velho


Não sei mais aonde colocar Aeronauta. Se deixá-la no mundo da lua, fora de minha casa, de minha vida, ou se continuo a abrigá-la em mim. Não sei quem é ela; sei que não sou eu. Mas me escondo por trás dela, me escondo de você. Se você me conhecer vai fugir de mim: vejo seus passos correndo pela avenida, no disfarce de estar sendo roubado. Você vai fugir. A cena se repetirá quantas vezes for preciso. Não tenho cabelos lisos como os dela, cabelos de índio. Meus cabelos crespos amedrontam. E estão sempre desalinhados. Tenho preguiça de penteá-los. Tenho um jeito carente que herdei dela, e você logo irá pensar que eu gostaria de lhe beijar. Você vai correr com medo, assustado que só vendo. Acontece sempre. Tenho garras invisíveis sobre os dedos, e eu nem vejo. Nem culpa tenho desse amor desesperado, guardado nos olhos, pedinte e mendigo. Tenho é raiva de ser o que sou, por isso aceitei esse contrato absurdo. Não sou ela, não sou. Sob a lona de um circo velho, guardo tudo tudo dentro de um baú. Qualquer dia desapareço.



Imagem: www.flickr.com

12 comentários:

Renata Belmonte disse...

Neste texto, você fez o que parecia impossível: se superou.
Lindo, lindo, lindo!
Bjs

Gerana disse...

Sou mais você do que ela.Gosto não se discute: diga para aeronauta que eu achei seu cabelo cacheado lindo, detesto cabelo lambido de índio. Sempre quis um cabelo que fizesse onda, como um mar.

Agora, sem brincadeira: eu sei onde colocar a aeronauta. Simples assim: no livro.

maria guimarães sampaio disse...

Pronto, de acordo com Renata. Só acrescento, não sei por que você implica com seu cabelo que eu sei, é belo.

Katia Borges disse...

Ah, deixa de coisa, Aero. Você é uma pessoa queridíssima. Bj

LÍVIA NATÁLIA disse...

Desapareça. Mas não antes de nosso projeto mirabuloso e maravilhoso! Depois dele, duvido que qualquer uma de nós queira sumir. Houve a reunião, mas não consegui ir. Acho que daremos mais força ao projeto no início de Agosto. Quanto todas estaremos recomeçando.

Um beijo!
Ah, e, claro, AMEI o texto...

Lidi disse...

Amei o texto, lindo! Mas não desapareça não! Fica aqui com a Aero! Um super beijo!

Andréia M. G. disse...

Aeronauta e vc mesma,

O convívio entre vcs parece estar meio conflituoso, mas espero que nem vc nem ela desapareçam. Bj

M. disse...

Eu assino embaixo o que Gerana disse. Prefiro você. Sempre você. Desculpe-me a ausência. Mergulhei fundo, você sabe, ainda estou lá embaixo. Beijos, M.

Nilson disse...

Lindo texto, mesmo. A questão é: você, a Aeronauta, uma única e querida pessoa, só aqui no texto pode cogitar que afugenta as pessoas. E por favor sem brigas, você, Aeronauta!!!

F. disse...

Ave Maria...suma não!!!Não cale esta voz!!!a literatura precisa de teus belos textos!!!
Ahhhh!!
OBS: Teu cabelo é show...queria um desses pra mim!!!rs

imonizpacheco disse...

Fuja não, rapá! É tão bom ler seus textos quanto deve ser bom parí-los,não?

Widal disse...

...e assim continua a vida, entre conflitos e com a certeza que dificilmente a criatura superará o criador.
Não para,não para, não para não.