terça-feira, 25 de agosto de 2009

se você deixar


Você tem jeito de homem da roça, trabalhador de enxada, sertanejo dos bons. Pouca fala, muito o que fazer. Pôr um cigarro de palha na ponta de sua boca e esperar a baforada seria algo por demais maravilhoso. Pegar você e colocar num banco, sentado na porta, que epifania! O melhor de tudo é sua singularidade: você não é estereotipado - nada pior do que sertanejo estereotipado, desses que a gente vê em certos teatros. Você é o que é, homem largado no mundo, sem se importar com as rugas no rosto nem com os botões da camisa. Personagem do velho Graça, paisagem transformada em gente. Ora árvore ressequida, galhos secos decorando a tarde mais triste, ora riacho fremente, devastadora cheia esverdeando tudo. Deve ser muito boa a sua companhia, para o resto dos tempos. Se você deixar, ficarei aqui, todos os dias, lhe olhando em silêncio, como quem escuta água em beira de rio.



Imagem: www.google.com.br

11 comentários:

LÍVIA NATÁLIA disse...

Muito bom! Principalmente pela lâmina afiada escondida entre as letras.

Como tem escrito esta minha amiga aero...

Luana Oliva disse...

um dos seus melhores posts, ever!

=)))

Lisi disse...

Ave Aeronauta....que sensibilidade, viu??!!!
Muito lindo!!
Beijus!!

maria guimarães sampaio disse...

Êta homem bom saído de suas palavras!

Marta F. disse...

Deixo sua ternura me tomar.

Lindo seu jeito de escrever, Aeronauta.

imonizpacheco disse...

"...olhando em silêncio, como quem escuta água em beira de rio..."
Que maravilha de texto. Que figura!

Gerana Damulakis disse...

De você, a literatura transborda... louca para ficar deitada em um livro.

Diogo disse...

Eita, nessa eu viajei

Nílson disse...

Maravilha!!!

Maria Muadiê disse...

um homem-rio...

Marta F. disse...

Já tirei os chinelos(como sugeriu a Viviane num texto), posso entrar de novo? Cara, acho que tu num fez esse texto pra um homem, não sei bem porque...enfim, queria revelar o valor estimativo - e pessoal mesmo - que este texto tem pra mim, algo singular.

Virei sempre revê-lo.