domingo, 11 de maio de 2008

Anjo não!


"O badalar do sino
anuncia
a coroação do menino
Batuqueiro, violeiro e cantador
alegram o festejo do pequeno imperador
Leiloeiro faz graça
com uma prenda na mão
e a banda toca
com animação

Oh que beleza! A Festa do Divino!
Cores, músicas e danças
E fogos explodindo!"

(Hino da Festa)

Hoje é o dia da Festa do Divino Espírito Santo na minha cidade. Vejo tudo isso daqui, da janela do apartamento onde moro. Não pude ir, mas consigo visualizar bem meu sobrinho no cortejo, perto do imperador e da imperatriz, adorando estar paramentado de guarda. Vejo a missa, tão concorrida, como sempre; e, no momento da coroação do menino, os pombinhos sendo soltos, dentro da igreja. Ah, e às quatro horas da tarde? As janelas das casas enfeitadas com toalhas bordadas e jarros cheios de flores, esperando a procissão,com o toque da marujada e da banda de música vindo bem perto, cada vez mais perto. Muitos foguetes espocando. Tudo igual, como em todos os anos, desde quando eu era menina e sonhava ser imperatriz. Sonho por demais ambicioso, já que nunca passei da escala de anjo ou de Dom do Espírito Santo. Vestir-se de anjo e de dom era o grau mais simplório na participação da festa. Punham um vestido branco na gente e pronto: já é dom ou anjo. Ser imperatriz significa usar roupas luxuosas, ter um manto enorme levado pelas mãos das meninas vestidas de damas, súditas, mas também bonitas, luxuosas. O mais simplório mesmo era vestir-se de anjo, mais ainda de que se vestir de Dom. Porque uma vez eu fui o Dom esperança, e tive um melhor tratamento: roupa longa verde e sandalinha branca. Mas anjo não: sempre aquela mortalhona, e sandálias havaianas. Coitadas das crianças condenadas a se vestirem de anjo em tão linda festa!

Fotografia: meu sobrinho, vestido de guarda do Divino Espírito Santo (segundo, da esquerda para a direita), festa de 2008.

Um comentário:

Maria Muadiê disse...

"sair de anjo, essa expressão é tão nossa, baiana! Eu já sai de anjo, já fui dama de honra, baliza...ô meu Deus, tudo que eu queria e não queria.
Adoro essas festas no interior, onde as pessoas se vêm, conversam, dançam..
um beijo,
Martha