segunda-feira, 7 de setembro de 2009

para onde ir


Não sei quantos rostos me deram, pressinto que foram muitos. Deixei que me pintassem com mil cores, de mil formas, com traços tênues de nuvens que se espalham, com a presença diáfana de todas as ausências. Queria ser bela, muito bela. Princesa refugiada numa torre bem alta, de lá mandando cartas, pinceladas com a mais dura de todas as pátinas: a que marca o desejo de ser amada. Escondendo-me de olhares humanos, fui doce, amarga, encantadora; embalaram-me no colo, em mil sedas; deram-me colares preciosos, anéis de rubi. Fizeram de mim o que eu nunca seria, rainha por demais delicada, com a mais macia das peles, com os cabelos mais leves, e os pés - transparentes - sobrevoando mundos. Era isso o que eu queria: ser sonho. Somente isso. Agora, completamente à vista, por demais humana, não sei para onde ir.




Imagem: "atingire_diafana_by_spirala", por nhoccon2004v.
(www.flickr.com)

13 comentários:

Renata Belmonte disse...

Muito lindo. Como sempre.
E você sempre terá para onde ir, pois mora no nosso coração.
Um beijo da sua amiga,
Renata

Marta F. disse...

É preciso ter uma alma muito nobre pra escrever assim.
Parabéns, e grata pelo arroubo.

Gerana disse...

É imenso o prazer que a leitura dos seus textos proporciona. Em você, a literatura é palpável.

Bernardo Guimarães disse...

um texto que confirma sua maestria com as palavras. e com as nuvens. será sempre benvinda onde for.

Diogo disse...

Pintar seu rosto na minha cabeça é exercício constante, a cada texto seu um pedaço vai se construindo, espero um dia te conhecer e tenho certeza que será o que imagino.

Andréia M. G. disse...

Senti transbordar sentimentos de suas palavras. Um sonho de texto!

maria guimarães sampaio disse...

Sobre o texto muito do bom o pessoal falou aê acima. Eu assino e digo mais, você é, sim, uma rainha por demais delicada.
Beijos de Maria

Nílson disse...

E não precisa ir a lugar algum: já está entre nós!!!

M. disse...

Acho que eu não amaria tanto a Aeronauta se eu não soubesse que ela tem o seu rosto, as suas dores, os seus tumultos; se eu não soubesse que ela é você, que você é ela. Foi desde sempre assim, lembra? Lembra do dia em que eu te perguntei se você era ela? Eu te reconheci, só você poderia ser ela. Beijos.

Gerana disse...

É isto, M., disse tudo. Seu comentário é tocante e de uma verdadeira amiga.

I.Moniz Pacheco disse...

Todos já disseram tudo o que eu queria dizer, mas sempre há espaço para confirmar que seus textos são lindos, delicados e fortes.

Lisi disse...

E este não saber...combustível da vida!!!vixe...clichezão!!mas tá valendo!!rsrsrs
Muito sensível teu texto!!
Beijus!!!

Edu O. disse...

Para mim vc continua igual ao desenho que fiz.