terça-feira, 21 de agosto de 2007

O vento e sua "incorpórea música"

Que coisa misteriosa o vento! Os mais pragmáticos diriam: oh, que coisa óbvia o vento!
Coisa aparentemente mais óbvia e ao mesmo tempo mais misteriosa... Não vemos o vento e temos a certeza que ele existe. Há comprovação maior do mundo sensível?
O vento é, pois, uma das provas mais contundentes da existência do invisível.
Só um poeta de grande sensibilidade poderia chegar tão perto desse ser - o vento - e saber de sua mais recôndita vida. Emily Dickinson, nos seus colóquios com as coisas do mundo, nos legou essa preciosidade:

"À noite, como deve sentir-se solitário o vento
Quando todos apagam a luz
E quem possui um abrigo
Fecha a janela e vai dormir.

Ao meio-dia, como deve sentir-se imponente o vento
Ao pisar em incorpórea música,
Corrigindo erros do firmamento
E limpando a cena.

Pela manhã, como deve sentir-se poderoso o vento
Ao se deter em mil auroras,
Desposando cada uma, rejeitando todas
E voando para seu esguio templo, depois."


(In: DICKINSON, Emily. Poemas escolhidos. Trad. Ivo Bender. Porto Alegre: L&PM, 2007, p. 39.)

3 comentários:

Luíza disse...

"...como pode alguém sonhar
o que é impossível saber
não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer
e isso, eu vi, o vento leva!"

o vento é uma das coisas mais incompreensíveis deste mundo mesmo!

Adorei.
Bjus

Renata Belmonte disse...

Ah, Aeronauta! Você escreve coisas tão lindas! Me sinto feliz por "conhecer" gente como você!

Renata Belmonte disse...

Ah... Aeronauta! Mais uma vez, criei um post inspirado no seu!
Bjs!