quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Cecília...


Outro dia sonhei que o coche fúnebre

Outro dia sonhei que o coche fúnebre
vinha buscar-me e eu não me achava preparada:
não estava nem morta nem doente,
e sentia que tinha de partir.
Então, disse para o cocheiro:
"Espere um pouquinho,
que estou acabando de ler este livro."
E o cocheiro concordou e esperou.
Deve estar esperando.

(Cecília Meireles)

Entrar em 2008 com a poesia de Cecília! Ah, Cecília, o que seria de mim sem tua existência, sem tua poesia? Tenho certeza que não seria quase nada. Tudo o que sonha em mim e pulsa, e diz, e não diz, tem teu nome, tua marca, teu olhar. Cheguei a acreditar, na pretensão de meus dezesseis anos, que eu era a tua encarnação! Já pensou a maravilha de ser Cecília Meireles?

10 comentários:

Carlos Barbosa disse...

Olá, Aérea Persona! Ainda imerso na ressaca das boas farras, retorno à leitura do teu blogue. Começaste bem, muito bem. Aliás, como tão bem terminas. Assim, açude. En garde! Abr. Carlos Barbosa

SANDRO ORNELLAS disse...

Ih... aos 20 (meninos amadurecem mais tarde que meninas...) eu pensava ser a reencarnação de Pessoa (pelas idéias, bem compreendido, não poesia que eu fazia...).
Bom ano novo.

aeronauta disse...

Puxa, Sandro, que bom que não estou sozinha nesta: pensei que estava pagando o maior mico em declarar tal coisa! Beijos e bom ano novo para você também.

Críticas Criticáveis disse...

Nossa, eu não tenho a mínima idéia d quem sou a reencarnação, acho q d um cara simples normalzim

katherine funke disse...

Meu preferido:

"Liberdade - essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda!"

Cecília Meireles

Renata Belmonte disse...

Eu sempre fantasiei que era a reencarnação de Clarice!(Adorei!)rs
Bjs

Renata Belmonte disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Luíza disse...

Ah gostei...mas geralmente as formas são jogadas fora..
Grande 2008 e beijos!

Kátia Borges disse...

Aeronauta, que linda sinceridade. Eu amo Cecília. Que foto linda essa. Bjs

Um versinho dela:

"Eu nunca houvera querido
dizer palavra tão louca.
Bateu-me um vento na boca
e, depois, no teu ouvido.
Levou somente a palavra,
deixou ficar o sentido.
O sentido está guardado
no rosto com que te miro"

Renata Belmonte disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.