quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Convite


Vestígio passional
Da minha linguagem?
Eu te pareço louca?
Eu te pareço pura?
Eu te pareço moça?

Ou é mesmo verdade
Que nunca me soubeste?

(Hilda Hilst)

Por saber-me mulher estremeço como chocolate se derretendo. Fico líquida, espalho-me entre as xícaras e os pratos e os talheres e a mesa e o jantar e o café. Sou mulher, grito dentro de casa, para que o universo escute no teu ouvido, e para que possas usufruir de tudo que tenho, água e chaleira fervendo. E te chamo, Amigo, para desceres o rio comigo; esse rio onde tudo é beira, pedra, limo.


Imagem capturada do www.flickr.com

15 comentários:

Anônimo disse...

aeronauta, vc tem o dom da poesia...
Parece coisa divina.

Bernardo Guimarães disse...

e eu ainda me surpreendo com o que vc escreve. muito forte!

Viviane disse...

Eu quero ir tb!

maria guimarães sampaio disse...

Quando você, cheia de poesia, escreve do amor me traz a presença de Mário (o homem que amei mais do que pude).

Anônimo disse...

Nauta, tudo em vc é poesia.

p.

Renata Belmonte disse...

Amo sua poesia e a da Hilda.
Bjs

Lívia Natália disse...

Não pude resistir e me saltaram do peito dois poemas pensando neste teu.

Lindo!

Chuca disse...

Acho que amo sempre assim , Maria, mais do que posso. E eles nunca nos sabem. Aeronauta,você é especial! Ao lado de Hilda Hilst, então...Obrigada.

Nilson disse...

Uau! Forte mesmo. Tudo derretendo! (Consegui resgatar uma mensagem sua lá da lista do spam do Blag. Desculpe a falta de intimidade com o programa. Vou ficar mais atento).

Anônimo disse...

Aeronatua,

não há como não lembrar, através de seu texto, que o homem deseja ser como água pra chocolate, num exalar de cheiros, numa profusão de cores e formas.
O complicado e ao mesmo tempo tão simples emaranhado do prazer, esboçado na rouquidão das vozes, nos sussurrar ao ouvido.
A primitiva, mas tão contemporânea sede do outro, na tentativa de complementar a si mesmo, para, no fim, perceber que não há uma completude, mas uma eterna e prazerosa procura.

"Ah,vida, se tu não fosses pele, e pulsação, e suor, e gozo..."


(João Neto)

Janaina Amado disse...

Aero, eu gostei demais deste seu texto e da conversa dele com o poema da Hilda. Tô arrepiada, olha só.

Bernardo Guimarães disse...

"Convite":
VOLTA A ESCREVER!!!!

Palatus disse...

Ótimo!!!
Demorei pra vir aqui, mas sabia que iria muito me deleitar!
Boa semana, aparece!

aeronauta disse...

OBRIGADA, PESSOAL, POR TÃO GENEROSOS COMENTÁRIOS!
BEIJOS A TODOS!!!

Domingos da Paixão disse...

Imagino descer um rio de chocolate derretido, seria tudo de bom. Poderia até afogar-me que estaria satisfeito.