quarta-feira, 25 de março de 2009

sonhos, parte 2


Poema do silêncio


Meus dedos buscam no teclado
o som do fado mais triste,
mais desesperado.

De onde estás nem me escutas,
ó Vida, cálida e surda.
Decerto travaste meus dedos.




Imagem: "tudo isso é fado", por mineke reinders.
(www.flickr.com)

4 comentários:

maria guimarães sampaio disse...

tudo isto é fado
(fernando carvalho-anibal nazaré)

perguntaste-me outro dia
se eu sabia o que era o fado
eu disse que não sabia
tu ficaste admirado
sem saber o que dizia
eu menti naquela hora
e disse que não sabia
mas vou te dizer agora

almas vencidas
noites perdidas
sombras bizarras
na Mouraria
cantam rufia
choram guitarras
amor ciúme
cinzas e lume
dor e pecado
tudo isto existe
tudo isto é triste
tudo isto é fado

se queres ser o meu senhor
e ter-me sempre a teu lado
não me falas só de amor
fala-me também do fado
que o fado que é meu castigo
só nasceu pra me perder
o fado é tudo que eu digo
mais o que eu não sei dizer

(tirei a letra ouvindo Lucília do Carmo e Amália, em duas ou três diferenças optei pelo canto de Amália)
Gasto todo o meu lado triste escutando fado.

katia borges disse...

Lindo, poema, como todos os outros. Cadê esse livro????

Gerana disse...

Muito bom; eu diria, pleno.

Ives Röpke disse...

Muito, muito bom!