sexta-feira, 1 de maio de 2009

De todos os fragmentos


Sonhei que estava no meio de um rio fundo e caudaloso. E para me salvar eu precisava - já que não sei nadar - enfrentar a água indo de costas, deitada sobre as águas. Se por um acaso eu fizesse o contrário perceberia toda a profundidade do rio e me afundaria de vez.
Paro por aqui porque foi nesse momento que acordei.
Não vou tentar fazer interpretações, investigações psicanalíticas, buscar entendimento em metáforas etc.
Deixemos o sonho assim, somente como uma visão.
Só acrescentarei como epígrafe - e não sei exatamente o motivo, o que um dia escreveu Rilke para Lou Salomé: "Nunca te ouvi que não tivesse vontade de crer em ti".


Imagem: "Águas tormentosas", por J. Martinez.
(www.flickr.com)

6 comentários:

Mayrant Gallo disse...

Fique fria, a verdade jamais se mostra tão a nu. Se assim fosse, tudo seria muito fácil, viver sobretudo. E sem sobretudo.

Gerana Damulakis disse...

E eu lembrei de um dos representantes da angústia humana, Calderón de la Barca, em A vida é sonho: "porque toda a vida é sonho/ e os sonhos, sonho são".
É tão simples e diz tanto. principalmente este "e os sonhos, sonho são". Adoro o pouuco que diz muito, como "Uma rosa é uma rosa é uma rosa", de G. Stein.
Ih, isto aqui vai virar uma carta. Acho que precisamos conversar, aeronauta. Sinto que tenho tanto para falar com vc.

maria guimarães sampaio disse...

Essamenina... aqui está um alto grau intelectual! Vou pegando meus paninhos, passando de fininho, mas não vou mentir pra ser porreta, gostei (viu?) do Rilke para Lou Salomé: "Nunca te ouvi que não tivesse vontade de crer em ti".

Ulisses disse...

Poeta, teces poesia até em sonho que não se faz texto, apenas imagem...

Chorik disse...

Não seria o relato do sonho em si uma interpretação?

aeronauta disse...

Mayrant: Por falar em "verdade" reli ontem "Confissões", de Bergman e percebi mais uma vez a complexidade que reina em tal palavra e a busca de sua materialidade.
Gerana: Acho que temos muitas figurinhas literárias pra trocar. Quando você quiser, escreva para a aeronauta: bemilydickynson@yahoo.com.br (o y do "meu" Dickinson é pra não ter a pretensão de ficar parecendo que quero ser essa maravilhosa poeta).
Maria: Que negócio é esse de sair de fininho? Não gosto dessa história não!
Ulisses: Lindas suas palavras.
Chorik: Que grande achado esse seu!