domingo, 7 de junho de 2009

braços abertos


Amadíssimo, não fales.
A palavra dos homens desencanta.

(Hilda Hilst)

Tivesse eu o poder de perpetuar amores, negociaria silêncios. Silêncios nos corredores das casas, das plantações, dos jardins, para que ninguém ouvisse o cansaço imenso de meus braços abertos, o amor sobrevivendo ácido na ponta dos meus dedos de espantalho, fácil, frágil, escandaloso.


Imagem: "silêncios", por victória garcia m.
(www.flickr.com)

5 comentários:

Renata Belmonte disse...

Esse seu texto está um escândalo. E eu estou cheia de saudades e novidades. Liguei para a senhorita na sexta, mas não consegui falar. Tentarei amanhã.
bjs

Mirdad disse...

Reconheço bem este cansaço.

imonizpacheco disse...

Belo de doer.

Nilson disse...

Muuuuuuito bonito mesmo. Concordo com Renata: um escândalo.

Edu O. disse...

pegou pesado, hein Aero?!!! Bravo!