segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Cheiro de mãe

Estar doente é sinônimo de ter alguém, sempre por perto, cuidando. Você todo embrulhado na cama, e uma mão vindo pegar na sua testa pra ver se a febre baixou; lhe acordar para dar o remédio na hora certa; sentar-se à beira da cama com um prato de comidinha leve e um garfo para colocar a comida na sua boca. A casa em paz, pois a pessoa que está cuidando de você faz de tudo para que nada atrapalhe seu sono. Há um certo ar de preocupação por todos os lados, e por todos os lados a sensação de que você é bastante querido, bastante dengado, bastante amado.
Há um certo ar de infância em estar doente. E um cheiro de mãe percorrendo a casa; mesmo quando a ausência do mundo entra nela, e lhe esmaga sozinho.

12 comentários:

Nilson disse...

Essa ausência do mundo se impõe. Como você consegue falar de dengo e depois sapecar esssa ausência?

Bernardo Guimarães disse...

Tenho medo de ficar doente pela certeza de não ter a mão certa para me ajudar. A saudade se impõe.

Personagem Principal disse...

Vejo, nitidamente, minha mãe tomando as mesmas providências.

Um dos textos mais lindos que li nos últimos dias. Amei!

maria guimarães sampaio disse...

Eu tinha 21 anos e minha mãe 47. Durante seis meses ela foi a minha filhinha até ir embora para sempre. Depois... eu não quis ter filhos de mesmo.
Sou uma mulher se sorte, tenho uma sobrinha, um irmão, um sobrinho mais inúmedros primos(as), mais parentes, médicos e amigos que cuidam de mim em inumeráveis doençadas.
(aos prantos de emoção, por receber tanto!choro com a mesma intensidade com que gargalho)
PS: meu irmão só sabia vomitar se minha mãe segurasse sua testa - ele só adoecia de indigestão, já eu era toda doentinha... imaginem quanto colo e quanto tudo recebi.
PS2: fiz uma postagem!

Menina da Ilha disse...

A hora que mais lembro de mãe é quando estou doente. Quando sentíamos qualquer dorzinha, ela já estava a mil nos preparativos com os remédios, com medo que a gente morresse. Perdi as contas de quantas vezes aproveitei desse medo dela e me fiz de doente só para não apanhar. Seu texto me deu saudade daqueles momentos.

Kátia Borges disse...

Ai, querida, concordo. Em abri, operadíssima e doloridíssima, fui cercada de amor por duas mulheres que amo. Só isso me dava ânimo. BJ

Janaina Amado disse...

Bateu forte em mim o título do post. Há pouco tempo descobri, alarmada, que não sei como é o cheiro de minha mãe.

Anônimo disse...

Ruim mesmo é quando a doença nos mata a possibilidade da mãe.

Estou muito sem remédio hoje.
Bjs!

monica de arruda disse...

Benditos sejam os ganhos secundários!

Flor do Mel disse...

às vezes penso que sei disso tudo melhor do q qualquer outra pessoa... minha mãe tem sido meu porto seguro durante toda essa agonia! Mãe... acho q isso foi a melhor coisa q já inventaram... qse choro lendo seu texto! lindo...

Edu O. disse...

não vale fazer chorar.

Críticas Criticáveis disse...

Qdo estou doente lembro da mama com seu arroz papa, cha e biscoito de agua e sal! Quero minha mae!