segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Coragem bernardiana

Engraçado, tem certas coisas que a gente tem vergonha de dizer. É nessas horas que eu gostaria de ser o Meursault camusiano e/ou Bernardo Guimarães. Ambos dizem tudo que não gostam, sem maiores problemas. Bernardo diz hoje no seu blogue (www.xeudizer.blogspot.com), em alto e bom tom: "vá ao teatro (mas não me chame)". Adorei. Nunca fui fã de teatro. As poucas vezes que disse isso para algumas pessoas, quase me lincharam. E agora dizendo novamente tenho medo de ser linchada. Mas tomei coragem depois que li Bernardo. Pois é. Nunca gostei. Sempre achei um saco. Deve ser trauma infantil mesmo: aquele negócio de me vestirem de Tiradentes na escola... Depois teve a peça de Branca de Neve na qual me chamaram para ser a rainha madrasta, dando gargalhadas diante do espelho... "Por que não Branca de Neve?" Pena que não tive coragem de perguntar isso. Mas pelo menos disse "não" a tal proposta horrorosa.
Deixando traumas de lado, retomo o assunto. De todas as artes, o teatro é a que não me diz muita coisa (só se salva para mim a leitura de Shakespeare). Ou seja: teatro é a arte que me entendia, me cansa, me deixa de mau-humor. O pior de tudo são essas tais peças experimentalistas baianas... Todo mundo sai elogiando sem entender nada. É: porque a coisa não é para entender mesmo, é só para espectador tirado a cult elogiar e mostrar que entendeu.
Há uns meses atrás fui assistir a uma peça comentadíssima, lá no Pelourinho. Um ator cabeludão, gritava e esperneava no palco, emendando e emendando versos de Caê, no maior desespero do mundo. Puxava os cabelos, num chilique louco. Na mesma hora em que estava em pé no palco, sorrindo: "Você é linda...", já aparecia na janela, chorando: "(snif...) alguma coisa acontece no meu coração (snif)", e no portão, berrando: "porque sou um homem comum!!", "vaca de divinas tetas!!", etc. Um horror. Coitado de Caetano, coitada de mim. Nunca mais eu, como diz mãe.

9 comentários:

Bernardo Guimarães disse...

Estava nu, agora me sinto protegido, quanto mais por vc, meu idolo. Tremi antes de escrever mas o fiz e, como numa catarse, me aliviei tanto quanto numa saída no meio de uma peça chata!
E nós gostamos de tantas coisas...
Outra força foi a declaração de Renata Belmonte ( Vestigios da senhorita B )sobre sua aversão ao balé. Pois é, estou amparado.
Ass.:Meursault de Camus.

Personagem Principal disse...

Sair de casa pra ver nêgo gritando aquelas frases horrorosas de Caetano, que ninguém entende... Coitada mesmo de vc, Nauta. Beijos.

Marcus Gusmão disse...

Estava eu aqui pensando sobre o post de Bernardo e já preparando minhas confissões quando comecei a passar minha lista de e-amigos em revista. Como você é a letra a, mato dois coelhos. Bernardo, de certa maneira, deu um nó no meu juízo. Não, não digo que desgosto, mas não entendo pintura, tenho dificuldade de assistir a filmes e me pego no meio dos concertos pensando no conserto do carro, nas contas, quando não durmo. Tenho problemas também para terminar de ler os livros, por mais que esteja gostando, mas este exercício de pensar se tem algo sacralizado que eu não gosto me devolveu a certeza do que eu gosto mesmo: é de fotografia. Ali na imagem parada tem pintura, literatura, cinema, tem história. E a fotografia tem a vantagem adicional de não lhe escravizar, obrigar a ficar com ela por x minutos ou horas. É você quem diz quanto tempo ela lhe merece.

maria guimarães sampaio disse...

geeentes... eu não posso ficar de fora. Teatro: adoro! exceto aquele geraldo tomáz e creio odiaria a bobajada que Aero descreveu e que tais. Cinema, tive abuso voltei a gostar mas não reconheço artistas e diretores.E vou gostando mais de escultura sem desgostar de desenho e pintura. Música eu amo (tirante ópera). Não me convidem para dança alguma. Nem balé, nem moderna nem de salão (esta já dancei tudo que tinha direito com bernardo)
Literatura, quer queiram quer não queiram estamos todos aqui a fazê-la belissimamente.
Chiiii fiz uma postagem! só faltou a foto

Ives Röpke disse...

Eu também detesto teatro e odeio ter que justificar "tamanha heresia". Para mim não se trata de heresia, mas de simples idiossincrasia. Não me comovem os gestos pausados, as falas grandiloquentes e toda aquela encenação fake. Sou do cinema e das imagens "naturalistas" que fazem com que eu me reconheça no outro. Abç!

Carlos Rafael Dias disse...

Também detesto. E tive de confessar isso, um certo dia, talvez motivado pelo álcool, para um grupo de atores e amantes de teatro. Disseram que é trauma de infância. Acho que é mesmo... que continuou na juventude e perdura até hoje.

Kátia Borges disse...

Já eu gosto de teatro, mas sou do tipo exigente, difícil de gostar e de agradar. Minha mãe é que assume detestar teatro. E olha que ela até atuou numas peças na adolescência. BJ

Renata Belmonte disse...

Ahhh... Apoiados!(Vc e o Bernardo!) Já assisti algumas peças bem bonitas, mas a maioria...Bom, Nauta, melhor não fazer fofoca!
Bjs

Nilson disse...

Será que eu não gosto de teatro? O fato é que raramente vou. Vai ver é isso.