terça-feira, 17 de junho de 2008

Boletim de ocorrência

Já falei sobre tantas coisas nesse blogue, que a impressão que dá é que tudo acabou. Não há mais o que dizer. Já desisti até de amar, vejam só. O que destila dentro de mim ultimamente é um ódio grosso, parecendo óleo de carro, grosso e preto. E o que surge é uma menina que nunca fui: com vontades de pregar peças: colocar rabo de papel nas pessoas e tocar fogo; roubar frutas no quintal alheio; beliscar menino pequeno; matar todas as casas de formigas que encontrar; matar pinto (minha irmã matou um aos quatro anos); matar gato e cachorro; matar gente.
É, tomem cuidado comigo: um ódio que nunca vi antes quer sair daqui de dentro. Quer acabar com o mundo. Puxar cabelo de pessoas, torturar, bater, beliscar, pintar o diabo. E nem meu superego está interferindo, eis o perigo. Ele está quieto, só observando para ver até onde posso ir. Não, não vou morder meu braço - como eu fazia quando era adolescente e ficava com raiva. Quero mais é morder braço alheio, deixar marcas sangrando. Tocar fogo numa casa! Ah, deve ser maravilhoso... ver as cinzas, Shiva, Shiva, Shiva...
Acho que de todas as maldades, a melhor mesmo deve ser aquela de dar um grande beliscão. Eu recebi muitos no braço, quando era criança. Minha mãe fazia isso para que eu comesse. O dedo dela retorcia minha pele, e a unha grande terminava o serviço. Deve ser bom mesmo pegar uma pessoa e torcer nela um beliscão, um beliscão bem dado. Não só um, mas dois, três, quatro... Deixar um monte de marcas no braço.
Ah, maldade, o que fazer contigo? Abraçar-te, como a um amigo? Apaziguar-te, livrando-me de todo o perigo? Pois se o perigo nunca acaba, para que apaziguar-te? Ah, maldade, vai ver nem és tão má assim... És uma máscara patética de ti mesma, pathos incendiando meu peito, pobre e só.

7 comentários:

Carlos Rafael Dias disse...

também não tolero essa paz
como se fosse uma flor de plástico prefiro o caos mesmo sendo caótico e a vontade que libera o sadismo aflora como flores em jarros quebrados

Carlos Barbosa disse...

Porreta, Aérea Persona. Confesso que tenho também vontades de matar. Mas matar apenasmente gente, que é bicho que muito merece morrer fungando na ponta de uma peixeira retorcida. Lembra do conto do Herberto? Tem horas que dá vontades de ser aquele jagunço matador. Tá certo que o final dele foi patético e merecido. Mas talvez a gente mereça. Somos da mesma raça dos que queremos matar, não? Entonce... Sigamos proseando, que é coisa boa e que pede café. Abr. (carlos)

Críticas Criticáveis disse...

Prefiro vc assim nauta mais agressiva doq deprimida! So nao me mord tá! hehehe bjus

Críticas Criticáveis disse...

Prefiro vc assim nauta mais agressiva doq deprimida! So nao me mord tá! hehehe bjus

Kátia Borges disse...

Oi, Aeronauta, sonhei com você na noite passada. Você estava de óculos de aros prateados, cabelos cacheados nos ombros e com um sorriso bonito no rosto. Bjs

SANDRO ORNELLAS disse...

aerosuicida (aviador kamikase)ou aeroassassina (piloto de caça)? nossa! posso dizer, pelo que li, vc sempre foi meio violenta, viu? ah! e o texto tá muito forte e pessoal, como sói acontecer...

Renata Belmonte disse...

Liguei para vc, mas não consegui falar. Estou lendo um livro que parece ter sido escrito pela Aeronauta. Tudo muito bom, delicado. Se chama "Por onde andou meu coração?" e acabou de ser relançado. No mais, deixo um enorme beijo para vc!
Renata