sábado, 21 de junho de 2008

Salvação

Tem pessoas que escrevem como quem nunca sofreu uma dor. Uma dor de dente lancinante. Uma dor de barriga daquelas de ver relâmpagos. Uma dor. Isso: uma dor. Dessas que a gente quer se livrar senão enlouquece. Aí vai e escreve. Na maioria das vezes escrevi para tocar a minha dor com ternura, ou com agressividade, a fim de que ela me deixasse ir vivendo, a fim de que eu pudesse rir, pudesse ser navegadora do ar. Nunca escrevi por acréscimo, mas por infinita necessidade de salvação, a todo custo. E se tem valor ou não o que escrevo não me interessa. Interessa apenas que eu me salve.

5 comentários:

Mônica disse...

E é justamente por isso que tem tanto valor a sua escrita: por não ambicionar ter. Lindo texto, querida.

Carlos Barbosa disse...

Aqui estão minha mão e o meu carinho. Vc vale por mil vezes mil dessas pessoas que escrevem por, como vc disse mesmo?, acréscimo. Abr. (carlos)

Carlos Rafael Dias disse...

Eu acrescento
um acento agudo ou circunflexo
nessa dor corriqueira
Dôa em quem doer
Seja aquilo que é

Renata Belmonte disse...

Obrigada, querida!
Bjs

Críticas Criticáveis disse...

Vc nos salva a cada dia mais com suas reflexões!