quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Ontem, no almoço

Nosso almoço ontem foi engraçado. Por conhecer minha irmã há anos, já imaginava onde e como seria, e como transcorreria. Ela é fidelíssima às coisas que gosta. Fomos almoçar no mesmo restaurante do shopping barra (só não vou falar o nome pra não fazer propaganda grátis), depois tomamos sorvete na perini (epa, não é propaganda não, e eu não tomei sorvete dessa vez), depois passeamos um pouco, e depois ela me deixou em casa para poder tirar seu sono da tarde em paz. Quem estava no almoço? Claro, os mesmos: eu, ela, mãe e meu sobrinho de onze anos. Como este se comportou? Carinhosamente, como sempre, e falante também como sempre. Ele começa a falar na hora que me vê e, sem interrupções, só pára na hora de me deixar. Mãe no mundo da lua, olhando para o oriente, e comendo muito, que ela não é besta. Acho que da turma toda quem é mais besta sou eu, que não vejo lá grandes graças em grandes pratos. E ontem o negócio foi brabo: comi mais da metade de um prato que alimentaria um gigante. Até hoje estou com a barriga nos mundos. E olhe que nem tomei sorvete! Claro, a turma toda tomou sorvetão depois, mesmo estrebuchando e virando os olhos. Minha irmã ratificou que estava se despedindo de comida, pois hoje ia começar o regime. Mãe não falou nada, e meu sobrinho também não: tomaram sorvete se regalando, sem nenhuma culpa. Ele, sem parar de falar um só segundo. Claro, coisas instrutivas, afinal é um leitor de enciclopédia e de tudo quanto é letra que vê pela frente: seja em revista, seja em livro, seja em computador. No meio do almoço, minha irmã disse: Deus me concede tudo que peço. E eu: O quê? Ela: Pedi a Deus pra esse menino puxar duas coisas do pai: a inteligência e as orelhas. Aí me lembrei do trauma de suas orelhas de abano, que ela sempre esconde com os cabelos. Mãe só ria, entre uma garfada e outra, comendo devagarzinho, coisa de seu feitio, sem nenhuma presa. Saímos de lá e meu sobrinho no trelelê. Mil perguntas do mundo para mim que não acertava nada. Quem inventou o fusca, quem foi não-sei-quem, o que aconteceu em mil novecentos e não sei quantos, e lá vai. Eu não sabia, e ele dava a resposta com um riso de felicidade, como a atestar minha bendita ignorância e sua linda sabedoria. Muito fofo! Na vinda, enquanto esperávamos sua mãe passar no banco, ele se sentou no meu colo e confidenciou: Titia, acho dar flores de presente algo tão romântico! E eu: Também acho. Ele: Mamãe me disse que só quer ganhar flores com um outro presente acompanhando! E eu: Esse é o jeito dela, meu amor. Ele: É, ela disse que flor murcha logo e o presente acompanhante não. Adorei, me acabei de rir. Essa é minha irmã!

7 comentários:

maria guimarães sampaio disse...

Viva a festa, viva a aniversariante. E viva o sobrinho lindo, meu blog hoje falará de meu sobrinho-neto! Beijos de Maria

Personagem Principal disse...

Agora sou também fã de sua mãe. Ela poderia ser a minha, "no mundo da lua, olhando pra o oriente e comendo bastante, porque ela não é besta". Linda a sua descrição do almoço. Um beijo.

Anônimo disse...

Memorável almoço. Minhas devidas congratulações. Lembrou-me uma bela sequência de "Hannah e Suas Irmãs", de Woody Allen, num referido almoço com a personagem-título e suas respectivas irmãs. Pelos pequenos gestos, jóias ocultas percrustadas em gestos e palavras aparentemente triviais. Imagine a participação do nosso pequeno grande homem. Aliás, falando em cinema (dá para notar minha acentuada carga de cinefilia(rs)), dois filmes recentes me encantaram muito: "Amor à flor da pele" e "Orgulho e Preconceito". Conhece? Pelos seus comentários, noto que demonstra desenvoltura por qualquer expressão artística.

Bernardo Guimarães disse...

já gosto da familia toda e agora tem mais esse.
e onde estão as orelhas de abano que não consigo enxergar?

Menina da Ilha disse...

É, o almoço foi legal. Quanto ao comentário sobre as flores, vou lhe explicar: Num dia das mães, ele e o pai sairam para comprar meu presente. Tinha certeza que era um vestido lindíssimo que tinha visto e o pai viu meu interesse. Quando voltou, fui toda radiante já me imaginando dentro do dito cujo, quando me deparo com um buquê lindo, mas só o buquê. E o pai dele completou:- queria lhe dar um vestido que vi você olhando, mas Vinicius disse que era para eu dar flores porque você tem roupa demais. Então, para não cortar o romantismo precoce dele(e não virar rotina em meus dias especiais), disse-lhe que quando for dar flores para qualquer mulher, é para irem acompanhadas com um supérfluo, para compensar quando as flores murcharem.

Anônimo disse...

Que venha dia 10. Você não acha que eu esqueceria, não?

Críticas Criticáveis disse...

Acho q esse sobrinho tel algo da tia hein? Sera q em pouco tempo estaremos lendo o blog dele?