domingo, 14 de dezembro de 2008

poesia para a vida inteira


Este foi o primeiro livro de Manuel Bandeira que comprei. Pelo reeembolso postal. Na folha de rosto lê-se: "Aeronauta, 29-03-83". Dá pra notar que ele ainda está novinho, a despeito da idade que ostenta. Eu era uma menina e deu-se o alumbramento: poesia para a vida inteira. Como esquecer o "Boi morto"? Poema que lia, lia, não entendia, mas entendia. Poesia é de verdade o terrível encantamento.
Ah, com a poesia de Bandeira "Eu vi os céus! Eu vi os céus!"
A "Noite morta" era a minha rua que, quando chovia, "junto ao poste de iluminação", os sapos engoliam mosquitos. Ouvia-se "a voz da noite...", e era mesmo a voz da "noite" que dizia Bandeira, entre parênteses: "(Não desta noite, mas de outra maior.)"
Com Bandeira aprendi a beleza do "Desencanto", e a reconhecê-lo, maravilhada, tanto tempo depois na voz de alguém que tudo me falou sobre os impossíveis carinhos:

Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor -
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!

6 comentários:

Bernardo Guimarães disse...

me lembro de, muito jovem,ter sido a poesia de bandeira a primeira a me surpreender,arrebatar, me por em um lugar que não imaginava existir.

Katia Borges disse...

Oi, querida, até guardo meu primeiro também, "Estrela da Vida inteira", sem a capa. Me acompanhou a infância toda e adolescência afora. BJ

Chorik disse...

Já eras Aeronauta em 83? Não havia atinado tua existência antes da blogosfera, perdoe minha ignorância. Gosto do Bandeira nonsense, como em pneumatórax.
Bj

maria guimarães sampaio disse...

Bandeira e Drummond (nunca acerto as letras duplas)me chegaram ainda menina. Quando meu pai tomava todas recitava "sem cavalo preto que fuja a galope" "quer ir para minas minas não há mais" "e agora, josé?". Já Bandeira ele não recitava mas lia sempre. Exemplares encadernados. Eu? já não bebo mas ainda sei longos trechos de João Cabral.

Soraya disse...

Não lembro do primeiro livro comprado mas já tive fase de apaixonamento por Drummond até conhecer as mulheres Adélia Prado, Hilda Hilst, Clarice, aí foi amor total. Quedei pra Manoel de Barros e hoje parei de ler como antes. Ainda bem que tem ainda os blogueiros de plantão pra trazer poesia de volta pra minha vida. Um beijo.

Nilson disse...

Que bonito esse poema. Bandeira é tão simples, né?