segunda-feira, 14 de julho de 2008

um sonho

Escrever ouvindo Piaf dá a sensação de uma dolorosa e bela lembrança saindo da pele. Os olhos se enchem de água, e eu me lembro do filho que tive num sonho de ontem à noite. Ele veio em brumas e se agarrou em mim com um amor completamente impossível, como todos os amores que eu já tive. Ele não queria ir embora, não queria os pais verdadeiros, queria a mim, mãe que encontrou nas nuvens oníricas de uma madrugada fria. Mãe que não poderia ser sua mãe. Ah, meu Deus, por que me dás sempre as coisas que não posso ter? Todos sabem que nunca quis ser mãe, e de repente me encontro com um filho impossível. Oh, Piaf, só tu embalas agora essa maternidade vazia.

3 comentários:

M disse...

Os amores impossíveis são os mais interessantes, sobretudo se eles se tornam de alguma maneira possíveis. A literatura nos ensina possibilidades.

Sempre especial a sua escrita e a sua amizade pra mim. Obrigada.

Carlos Barbosa disse...

Aérea Persona, "sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só", disse o mestre Raul, e eu não digo nada mais. Aos poucos liberarei os poemas de Stheyman Wallphys, poeta desconhecido dele mesmo. Bom retorno, boas viagens. Abr. (carlos)

Anônimo disse...

Aeronauta, me deixe penetrar nos seus sonhos, e lá no fundo me esconder da realidade.
p.