segunda-feira, 21 de julho de 2008

Do último andar

Imitando Cecília, vou procurar o último andar para morar. De lá construirei armadilhas para as nuvens... não deixarei elas brincarem de se desfazer. De lá gritarei teu nome, como só uma louca pode gritar. De lá serei Ismália... De lá, do último andar...

O último andar
Cecília Meireles

No último andar é mais bonito:
do último andar se vê o mar.
É lá que eu quero morar.

O último andar é muito longe:
Custa-se muito a chegar.
Mas é lá que eu quero morar.

Todo o céu fica a noite inteira
sobre o último andar.
É lá que eu quero morar.

Quando faz lua, no terraço
fica todo luar.
É lá que eu quero morar.

Os passarinhos lá se escondem
para ninguém os maltratar:
no último andar.

De lá se avista o mundo inteiro:
tudo parece perto, no ar.
É lá que eu quero morar:

no último andar.

Um comentário:

Maria Muadiê disse...

Gosto demais dessa poesia. No último apartamento que morei, no último andar, eu lembrava sempre dela.

Obrigada pelo carinho lá no Muadiê, estou gostando muito de receber carinho, porque estou muito triste. E agora, além da tristeza, estou achando assustadora a vida sem meu pai.
Tempo...
Um beijo,
Martha