terça-feira, 1 de julho de 2008

Amor

É, sou do tempo dos cadernos de confidências. Tive vários. Sempre começavam com as mesmas perguntas: "Vamos confidenciar? Topas?" Depois seguiam as perguntinhas básicas: "Amas?" "Como é o seu amor?" E no final: "O que você acha da dona do caderno?"

Havia aqueles mais audaciosos... iam bem longe: "Amas? Qual é o NOME de seu amor?" Nesses só respondia quem era corajoso. Quem não tinha medo de dizer "abertamente" o grande nome, "o nome que nos estremece", como tão lindamente escreveu Cecília Meireles num poema.

... Mas não é que uma vez fui corajosa?
Soube que uma amiga tinha um desses cadernos ousados. E eu queria porque queria contar a todo mundo quem eu amava. Doidice de uma menina sonhadora, de doze anos, que já tinha feito tudo a fim de conquistar o menino de sua vida e não conseguiu. E que então resolveu apelar para o extremo. (Sempre tive esse gosto pela fatalidade quando a vida me nega as coisas.) Busquei o tal caderno e lá escrevi o nome do meu amor. O que aconteceu depois foi um burburinho, o colégio todo comentando a façanha... e vinda de mim, uma menina tão quietinha... Algo pra se espantar mesmo.
O que eu imaginava era que, com isso, ele iria tomar uma decisão. A pressão do povo ajudaria... Arquitetei, como quem já faz politicagem no amor.
De fato, as pessoas pressionaram muito. Tanto falaram que ele resolveu responder às perguntas do caderno. Fui correndo ler. Trêmula, passei todas as folhas e me direcionei rápido à pergunta que mais interessava. Vi lá a resposta. Ah, a resposta...

3 comentários:

Mônica Menezes disse...

Por Deus, qual foi a resposta?

Personagem Principal disse...

Como assim "ah, a resposta"? Quero saber! rs.

Críticas Criticáveis disse...

"Sempre tive esse gosto pela fatalidade quando a vida me nega as coisas" Adorei isso, tb me sinto um pouco assim, sempre me revoltei com minha timidez e isso sempre me fez ser fatal, me expor, tudo em busca d um remédio para esse mal. Bjs Nauta