quinta-feira, 28 de agosto de 2008

As propagandas

Sempre senti as lacunas, os pontos em branco que a vida traz. Não conscientemente, óbvio: esse negócio de consciente/inconsciente entrou no meu mundo mais tarde. E ainda tateia, pois que só as palavras entendem seu código. Nós não; como disse Clarice Lispector temos patas grossas demais. Pois bem. Isso é só a tentativa de um prelúdio simpático para contar minhas esquisitices juvenis. Ah, e foram muitas, coisas de louco. Mas era tudo para sanar as lacunas, os pontos em branco. Acredito nisso por que não sei absolutamente nada sobre a vida. Estou aqui à toa. Vamos ao desenvolvimento deste post. Está difícil, não? É, falar de esquisitice de nós mesmos não é coisa fácil. Mas vamos lá. Dos onze aos ... (aqui não digo), eu colecionava cadernos: primeiro, diários; segundo: caderno de poemas; terceiro: caderno de confidências; quarto: caderno de músicas; quinto: caderno de recordações, onde as amigas escreviam; sexto: caderno de passos de dança (bizarro também); sétimo: caderno de propagandas de televisão. É bom falar assim rápido, a gente fica logo livre. Pois é, queridos, eu tinha um caderno onde registrava, ou melhor, onde transcrevia propagandas de televisão. Lembro perfeitamente de duas. Uma, Lady Francisco dizendo com a voz mais melosa e pontuada do mundo: "Ô meu preto, quem compra sapatos de homem, nas lojas santana, ganha uma karina, inteiramente grátis". A outra: Waldick Soriano cantando o início de "eu não sou cachorro não", tirando o chapéu e completando: "Só duas coisas me fazem tirar o chapéu: as minhas fãs e as novas balas apache hortelã". A mais engraçada de todas as propagandas é a mais sem-graça: "Essa transmissão da tv aratu chega a Itabuna e Ilhéus via Telebahia". Ah, não tem preâmbulo literário e psicanalítico que dê jeito a uma confissão dessa!

7 comentários:

Mônica Menezes disse...

Caderno de passos de dança, esse eu não tive, nem de propagandas, no entanto tive tantos outros e às vezes tão esquisitos: de poemas, de piadas, de segredos, de palavrões com os seus respectivos significados, com listas e imagens dos lugares que eu queria conhecer, com biografias, retratos e versos dos meus escritores favoritos, de ações que eu jamais queria praticar, e aí vai...

Adoro esses seus textos autobiográficos, Aeronauta. Bjs

maria guimarães sampaio disse...

Aero, Aero... os cadernos! esquisitices? dos jovens que não tiveram tais cadernos. Como sou antes da TV, colava propagandas cortadas da "Seleções Reader's Digest". Automóveis, tônicos e, discutia com minha prima o que seria exatamente o tal de MODESS!
Beijos Maria

Renata Belmonte disse...

Nauta!
Você não existe!!!!Que figura!!!
Bjs

Bernardo Guimarães disse...

Dou um milhão pra passar as vistas nestes cadernos de vocês todas. Malucas.

Carlos Barbosa disse...

Material fabuloso para pesquisa e produção de textos. O "Grande Livro" promete. Abr. (carlos)

anjobaldio disse...

Massa estas esquisitices de listas.

Viviane disse...

Vou falar logo pra me livrar (hahahaha, adorei isso): SENSACIONAL! Como é que vc consegue transformar esquisitices num texto porreta desses?
Bjs.